MPF cobra explicações do Ibama sobre pedido da Petrobras para explorar mais 3 poços na Foz do Amazonas
17/08/2026
(Foto: Reprodução) Lula visita navio-sonda em Oiapoque e defende petróleo na Foz do Rio Amazonas
O Ministério Público Federal solicitou explicações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre os pedidos da Petrobras para perfurar três novos poços exploratórios e realizar outras operações marítimas na Bacia da Foz do Amazonas.
O ofício foi enviado na noite de segunda-feira (17), segundo o MPF, mesmo dia em que a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.
O MPF deu prazo de cinco dias para o Ibama responder aos tópicos levantados pelo MPF (veja os detalhes mais abaixo), com informações, justificativas e documentos. As informações foram divulgadas pelo MPF no Pará. O g1 procurou o Ibama e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.
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O documento do MPF foi assinado por procuradores da República que atuam no Pará e no Amapá e endereçado ao presidente do Ibama, Jair Schmitt, e à diretora de Licenciamento Ambiental do instituto, Claudia Jeanne da Silva Barros e pede esclarecimentos em cinco dias.
Aumento de poços interfere nos impactos, diz MPF
O MPF afirma que a liberação de novas perfurações por meio de simples autorização, ou de alteração de condicionantes pode descumprir normas ambientais, ignorar impactos cumulativos e contradizer informações prestadas à sociedade e à Justiça.
"Avaliar o impacto de uma única perfuração é completamente diferente de analisar os efeitos de múltiplas perfurações. O aumento do número de poços amplia o tempo da atividade e interfere na intensidade e na frequência dos impactos sobre a fauna, a flora e as comunidades tradicionais da região costeira, como indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores artesanais", argmentou o MPF.
Outro ponto levantado pelo MPF é o que chamou de "falta de transparência e contradição quanto à duração das atividades". Segundo o órgão, documentos internos mostram que a Petrobras apresentou cronograma prevendo perfurações entre 2025 e 2029.
Ainda de acordo com o MPF, em reuniões públicas realizadas em novembro de 2022, em Belém e em Oiapoque, a empresa e "representantes técnicos do Ibama declararam que a atividade se restringiria a um único poço e duraria apenas entre cinco e seis meses, sem gerar impactos diretos às comunidades".
Exploração de petróleo na costa do Amapá
Petrobras/Divulgação
No mesmo documento, os procuradores também mencionam as recomendações enviadas ao Ibama em fevereiro deste ano. Na ocasião, os procuradores pediam mais transparência e alertavam para que houvesse análise integrada de todas as perfurações previstas.
Além disso, o MPF no Pará também recomendou ao Ibama em fevereiro de 2026 que suspendesse o licenciamento. Meses depois, em maio, o MPF acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para tentar suspender a licença ambiental.
Pedido para mais 3 poços
A Petrobras protocolou junto ao Ibama o pedido de licença ambiental para perfuração de três novos poços na Margem Equatorial, na costa do Amapá.
A informação foi confirmada pela diretora Clarice Copetti durante visita ao município de Oiapoque nesta segunda-feira (17), reforçando a ofensiva da estatal na região, onde já foram encontrados indícios de petróleo no primeiro poço perfurado no bloco 59.
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